Você sabia que as suas emoções podem destruir o seu ambiente de trabalho?

Muito se tem falado sobre a importância das emoções no ambiente de trabalho, principalmente sobre o quanto as emoções dos líderes podem afetar a motivação e o comprometimento dos seus funcionários, impactando no desempenho da área e, consequentemente, os resultados da organização.

Principalmente nos dias de hoje, com uma crise econômica/política instalada no Brasil, a busca por resultados tem sido cada vez mais valorizada no mundo corporativo e, por isso, tem-se exigido muito mais de cada membro da organização.

“As pessoas trabalham horas a fio, com uma pressão imensa para entregar os resultados e por muitas vezes essa sobrecarga de trabalho, ao invés de trazer os resultados desejados pelo líder e pela organização, acabam deixando um rastro de retrabalho, incertezas e insatisfações.”

Quanto mais o profissional é cobrado pelos números e pela entrega, menos ele consegue deixar o seu lado criativo fluir para encontrar soluções inovadoras e mais produtivas para os problemas e dificuldades enfrentadas neste cenário atual.

“Muitas vezes a organização exige que o funcionário fique até muito tarde para resolver questões que parecem emergenciais e que se não forem resolvidas naquele momento poderão trazer algo de muito ruim tanto para o profissional quanto para a organização. E isso de fato acontece: o nível de stress aumenta, o funcionário é privado de horas de sono e de lazer, bem como do convívio com os amigos e familiares. Inevitavelmente seu rendimento cai, fazendo com que ele se feche e se transforme apenas em um “fazedor de tarefas””.

E, como líderes, a gente tende a ficar ainda mais incomodado com a situação e acabamos por colocar ainda mais pressão, o que faz com que estejamos num círculo vicioso, onde quanto mais pressão, menos resultado e com isso a produtividade da nossa área e da companhia acabam caindo.

Muitas vezes nos vemos pressionados e a nossa primeira reação é começar a dizer para as pessoas o que elas devem ou não fazer. Com isso, as pessoas ficam ainda mais angustiadas e desmotivadas. Elas se culpam por não estarem entregando da melhor forma e se sentem incapazes e infelizes. A nossa intenção como líder era de ajudar o funcionário a sair dessa apatia, quando na realidade o impacto nele acaba sendo o oposto do que desejamos.

“E aí a gente se pergunta, o que fazer numa situação dessas?”

A melhor alternativa em um momento como esse é sairmos de cena e nos prepararmos para lidar com essa situação de uma forma estruturada e personalizada. Ou seja, cada pessoa tem um estilo diferente de pensar e de lidar com as situações e nós, como líderes, já sabemos que o que funciona para nós, muitas vezes não funciona para os nossos liderados.

Então, o primeiro passo é refletirmos no cenário em que estamos vivendo, quais são as oportunidades, os obstáculos, os recursos que temos e quem seriam as pessoas da nossa equipe mais indicadas para nos ajudar a resolver a situação daquele momento, para então agendarmos uma reunião e tratarmos do tema.

Logo após essa reflexão inicial, precisamos nos preparar para essa conversa, e aqui entra nossa preparação emocional. Parece estranho termos que fazer esse preparo, mas, como líderes, somos nós quem damos o tom da conversa e se estivermos nervosos e ansiosos, passaremos essa ansiedade e esse nervosismo aos demais, o que complicará mais a situação.

Essa preparação requer que administremos internamente nossas emoções e que genuinamente tenhamos a intenção de contribuir com o sucesso da pessoa e consequentemente com o sucesso da nossa área. O julgamento nessa hora precisa ficar de fora. E por que tudo isso? Porque a neurociência vem estudando há anos o impacto das emoções no nosso dia a dia e os estudos mostram que as emoções são contagiosas, sejam elas positivas ou negativas.

Todos nós somos “equipados” com um sistema de neurônios que são capazes de imitar comportamentos, os chamados neurônios espelho e temos também um conjunto deles que nos ajudam a nos conectar com as emoções do outro, os chamados sistema hemodinâmico simpático (hemodynamic sympathetic networks), é por isso que muitas vezes quando entramos em discussões mais calorosas saímos delas “contaminados” com emoções negativas. O mesmo acontece quando estamos tensos e preocupados e vamos para ambientes mais descontraídos e saímos de lá mais “energizados”.

Pensando nessa informação trazida pelos estudiosos em neurociência, podemos agora iniciar relações ainda mais produtivas no nosso dia a dia, e, como líderes, devemos refletir sobre a melhor forma de nos prepararmos emocionalmente para transmitir essas emoções nos ambientes em que estivermos inseridos.

Por isso, antes de nossas interações, devemos nos preparar tanto no aspecto prático, ou seja, no conteúdo, como também na forma, levando sempre em consideração a preparação emocional.

Seguem abaixo algumas dicas:

  1. Reflita em qual resultado você espera dessa interação. Ex.: aumento de produtividade das vendas.
  2. Como você quer que a pessoa com quem irá interagir se sinta? Ex.: Sinta-se aberta para pensar em alternativas de como reverter a situação atual.
  3. O que você fará para que ela se sinta dessa forma? Ex.: Para que ela sinta-se aberta, contextualizarei sobre a minha preocupação atual com relação aos resultados e falarei sobre minhas expectativas de forma clara, objetiva e respeitosa. Farei perguntas abertas a respeito de como ela se sente com tudo o que apresentei e a estimularei a pensar em soluções e alternativas que ela ainda não tenha pensado para resolver a situação atual.
  4. Que emoção você precisa focar em você para garantir que a conversa flua de forma produtiva e positiva? Ex.: Eu quero que a “calma” me acompanhe durante toda a interação.
  5. O que você fará se a conversa desandar? Ex.: Pensarei na sensação que a calma trás para a minha vida e respirarei profundamente para me manter calmo e contribuir com a reflexão dessa pessoa.
  6. Assim, que terminar esse planejamento, coloque foco na emoção escolhida, nesse caso do exemplo a “calma”. Procure pensar em situações em que você viveu essa emoção na sua vida, tente lembrar mentalmente de como foi boa essa experiência e de como você saiu energizado dela. Registre essa sensação mentalmente; algumas pessoas registram como se fosse um fotografia, mas deve ser da forma que for mais interessante e de fácil acesso para você, pois, assim, durante a interação, ficará mais fácil trazê-la para a sua mente.

No mais, é experimentar trabalhar com as emoções positivas e usufruir do bem que elas nos fazem e como contagiam de forma positiva o meio a nossa volta. Certamente, quando estamos num ambiente mais harmonioso, ficamos mais abertos e mais produtivos para enfrentar os desafios do dia a dia.

Convite para reflexão: O que você fará para trazer emoções positivas para as suas próximas interações?

Grande Abraço,

Marcia Sales Longaretti