Liderar em momentos de luto!

Estive em um webinar com Pedro Mandelli que trouxe uma reflexão interessante ao mencionar que “os líderes de hoje estão liderando equipes em luto” e essa frase me impactou tanto que resolvi refletir e escrever sobre o tema.

Estar em luto significa que alguém ou algo muito importante para nós foi perdido. É mais comum ouvirmos essa expressão para a morte de uma pessoa querida, mas podemos entrar em luto após a perda de um emprego, falência nos negócios, perda de status dentro da empresa, redução de salário e nesse período de isolamento social em que todos estamos enfrentando, podemos associá-lo à perda da liberdade e/ou da rotina que tínhamos até então, enquanto outras pessoas talvez estejam vivendo o luto de algum familiar ou amigo que perdeu durante a pandemia da COVID-19.

Além dessas perdas, também há o medo de ser contaminado por essa doença e não saber como ela irá se desenvolver em cada organismo. Talvez você como líder possa estar passando por um processo como este ou ter alguém da sua equipe vivenciando a angustia e/ou stress nesse momento tão delicado.

O luto é caracterizado por um período de tempo muito importante na vida das pessoas que perderam alguém ou algo de muito valor, porque é nele que elaboramos o que aconteceu para que então possamos seguir a vida a partir daí. 

Viver o luto é uma tarefa muito desafiadora, razão pela qual saber como ele funciona é importante porque só podemos lidar adequadamente com aquilo que conhecemos.

Gosto muito do trabalho deixado pela Dra. Elisabeth Kubler-Ross sobre o tema. Um dos seus legados foi a definição das 5 etapas do luto, que descrevo a seguir:

  • Etapa 1 – Negação – A pessoa não quer entrar em contato com a perda. Ela não aceita o que aconteceu.
  • Etapa 2 – Raiva – A pessoa fica brava, sente-se injustiçada e não se conforma em estar passando pela situação.
  • Etapa 3 – Barganha – A pessoa tenta reverter a realidade, ela começa a fazer promessas e acordos para si e muitas vezes para o “Universo”, para tentar negociar e trazer a situação para como era antes. Muitas vezes ela pensa “se eu tivesse feito “x” talvez isso não tivesse acontecido”. 
  • Etapa 4 – Depressão – A pessoa se vê diante da realidade dos fatos e isso traz muita tristeza e ela se volta para dentro de si, se isolando do mundo e tendo um forte sentimento de impotência.
  • Etapa 5 – Aceitação – Quando a pessoa tem força para olhar e lidar com a situação de forma consciente e está pronta para enfrentar a perda e fazer as mudanças necessárias para voltar a seguir a vida por uma nova perspectiva.

É importante destacar que nem todas as pessoas que estão em luto passam por todas as 5 etapas, que não são sequenciais e podem acontecer mais de uma vez durante este processo. Em resumo, cada pessoa é uma e cada processo de luto também é um.

Quando uma pessoa está em luto, pode ter dificuldades de concentração e de cumprimento das rotinas de trabalho, o que significa que ela precisará de apoio e suporte.

E você como líder precisa colocar o “chapéu de líder afetivo” e estar próximo das pessoas para apoiá-las e ajudá-las a compreender o que está acontecendo com elas nesse momento para que juntos possam encontrar caminhos para que superem essa fase.

A seguir algumas sugestões de como você pode conduzir essas conversas de maneira produtiva:

  • Reserve espaços na sua programação diária para estar com cada membro da sua equipe, mesmo que remotamente. 
  • Garanta que o horário que você irá conversar individualmente é adequado para o seu liderado.
  • Reserve algum tempo antes da conversa para que você se prepare mentalmente e emocionalmente para ela.
  • Tire todas as distrações da sua frente, como alarmes de mensagens e agenda e também as distrações e preocupações da sua mente. Algumas pessoas utilizam técnicas de respiração para estar 100% presente na conversa.
  • Durante a conversa, coloque foco no que a outra pessoa está trazendo para você. Ficar atento à linguagem verbal e corporal, tom de voz e sentimentos que surgem podem fazer toda a diferença na condução dessa conversa, porque todos esses elementos fazem parte de um bom processo de comunicação.
  • Enquanto a pessoa estiver falando, não a interrompa. Se surgirem pensamentos e sensações sobre o que você está percebendo durante essa interação, faça anotações no papel para que você continue focado na pessoa e depois, na sua vez de falar, você consulta essas anotações e dá sequência a conversa.

Muitas vezes em uma conversa aberta e franca, em que de fato você escuta ativamente e compreende pelo que seu liderado está passando, alguns insights podem surgir e juntos vocês podem encontrar alternativas que o ajudem a superar o tema, situação ou problema. 

Existem casos em que talvez o seu liderado possa precisar de suporte especializado, e nessa hora é muito importante que você traga o assunto e peça para que ele procure por um psicólogo por exemplo.

As pessoas precisam de líderes que estejam próximos a elas e que as respeitem como pessoa e como profissional, porque somente assim é possível trazer todo o potencial delas para o trabalho que desempenham.

Pense nisso!

O tema liderança é muito rico e importante, principalmente em um momento tão turbulento como o que estamos vivendo, motivo pelo qual nos próximos artigos continuarei a escrever sobre ele.

Grande abraço e te vejo no próximo artigo.

Marcia Sales Longaretti